Em um movimento que sublinha a crescente divisão política em Washington e o impacto das políticas comerciais na diplomacia internacional, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma legislação para anular as tarifas de importação impostas pelo ex-presidente Donald Trump contra o Brasil. A votação, ocorrida na terça-feira (28/10/2025), representa uma vitória simbólica para os críticos das políticas protecionistas de Trump, embora a medida enfrente um futuro incerto na Câmara dos Deputados [1].
O Voto e o Contexto Político
A legislação foi aprovada por uma margem estreita de 52 a 48 votos. O resultado foi notável pela deserção de cinco senadores republicanos, que se uniram à maioria democrata para apoiar a anulação das tarifas, cruzando as linhas partidárias em uma questão de política externa e comércio.
A ação do Senado visa encerrar a “emergência nacional” declarada por Trump em julho, que serviu de base para a imposição das tarifas. O decreto de Trump acusava o Brasil de ameaçar a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA, além de “perseguir politicamente” o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro [1].
Impasse na Câmara e a Persistência das Tarifas
Apesar da aprovação no Senado, a legislação segue agora para a Câmara dos Deputados, que também é controlada por uma maioria republicana. Historicamente, os republicanos na Câmara têm consistentemente votado para bloquear tentativas de revogar as ações tarifárias de Trump, o que sugere que a medida sobre o Brasil deve ser arquivada.
Este cenário repete padrões anteriores. Em abril, o Senado já havia aprovado uma lei para revogar tarifas de Trump contra o Canadá, mas essa medida também foi rejeitada na Câmara. A promessa dos democratas do Senado é continuar forçando repetidas votações para desfazer as medidas comerciais, alegando que Trump utilizou declarações de emergência falsas para justificar suas tarifas [1].
A Disputa Comercial e a Versão Brasileira
A disputa comercial ganha contornos ainda mais complexos quando analisada sob a ótica dos dados econômicos. Autoridades brasileiras têm refutado a justificativa de Trump, citando um superávit comercial de US$410 bilhões a favor dos EUA com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos. Este dado contrasta diretamente com a alegação de que o Brasil representaria uma ameaça econômica ou de segurança para os Estados Unidos [1].
A aprovação da medida no Senado ocorreu em um momento em que Donald Trump estava em uma turnê de cinco dias pela Ásia, incluindo Malásia, Japão e Coreia do Sul, com um encontro agendado com o presidente da China, Xi Jinping, para discutir comércio.
| Detalhe da Votação | Descrição |
| Placar | 52 votos a favor, 48 votos contra |
| Apoio Republicano | 5 senadores republicanos votaram pela anulação |
| Próxima Etapa | Câmara dos Deputados (maioria republicana) |
| Probabilidade de Aprovação | Baixa, devido ao histórico de bloqueio na Câmara |

