Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping definiram um roteiro de reaproximação diplomática após quase duas horas de reunião nesta quarta-feira (30), no sul da Península Coreana. O encontro resultou em anúncios de redução das tarifas alfandegárias, promessas de cooperação bilateral e o compromisso de uma nova cúpula em 2026, a ser realizada na China.
Segundo Trump, as tarifas impostas aos produtos chineses serão reduzidas de 20% para 10%, em um gesto de distensão após anos de guerra comercial. Em contrapartida, a China se comprometeu a reforçar o combate ao tráfico de fentanil para os Estados Unidos e a retomar as importações de soja norte-americana, suspensas desde maio.
“Tivemos uma reunião incrível. Acredito que vão nos ajudar com o fentanil”, afirmou o presidente norte-americano, ao regressar a Washington a bordo do Air Force One.
Outro ponto de destaque do encontro foi o fim das restrições chinesas às exportações de terras raras, insumos estratégicos usados em tecnologias de ponta, energia e defesa. “Já não há mais restrições às terras raras”, anunciou Trump, destacando o impacto positivo para o setor tecnológico.
O presidente chinês também classificou o diálogo como produtivo e sinalizou disposição para fortalecer a cooperação econômica.
“As equipes econômicas e comerciais da China e dos Estados Unidos mantiveram discussões aprofundadas e alcançaram consensos sobre soluções para os problemas”, afirmou Xi Jinping, citado pela agência Xinhua. “As duas equipes devem agora apresentar resultados concretos o mais rapidamente possível, de modo a tranquilizar as economias da China, dos Estados Unidos e do mundo.”
A reunião ocorreu à margem da Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que será realizada em Gyeongju, na Coreia do Sul, a partir desta sexta-feira (31). Xi Jinping participará do evento, enquanto Trump não deve comparecer pessoalmente.
O clima de reconciliação foi evidente desde o início da reunião. Trump acenou para Xi chamando-o de “amigo”, enquanto o líder chinês reconheceu que “é normal que as duas maiores economias do mundo tenham fricções cíclicas”, destacando que “ambos os países são plenamente capazes de prosperar juntos”.
A delegação norte-americana contou com o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o embaixador dos EUA na China, David Perdue, e o representante comercial Jamieson Greer.
Fonte:
Carlos Santos Neves – Repórter da RTP / Agência Brasil

